"...só viram os que levantaram para trabalhar no alvorecer que foi surgindo..."

domingo, 22 de maio de 2011

Mensageiros da alegria.

Muuuiiito prazeeer, muuiita alegrriia...

Senti vontade de comer pipoca.Então fui para a cozinha e pus- me a preparar...
Olhei os panos de prato , os bicos de crochê...o barulho do milho estourando, o cheiro, o sabor... de sal ou de doce?De chocolate???


“Rebenta pipoca no *#    da Ivone, rebenta pipoca no*#            da Bruninha..Hahahaha!”

Sentei em frente a TV “e lembrei de um tempo em que eu era criança”(me apropriando de um  verso de Cazuza)...
O mar invadiu meus olhos e as imagens minha mente.
Então revi momentos em que os mensageiros da alegria nos apresentaram pequenos prazeres ou “ensinaram” a subverter regras...
Naquela época , pequenas peripécias como ,“assaltar” o armazém do papai a noite para comer azeitonas e beber coca-cola ou me esconder,do meu pai e da minha mãe, para me poupar de ir a algum lugar que eu não queria ir.
Dizem que ela matava aula escondido do papai pra ir ao cinema, não posso atestar ,era muito pequena;mas fato era que, ela nos levava a contra gosto dos nossos pais ao Cine Ouro ,(Frida ou Casablanca? ?? )  para assistir aos filmes do Didi.Ah ,e também inventava pequiniques no Mutirama com os nossos sobrinhos.Saborosas também eram as tardes de cachorro quente nas Lojas Americanas ( o nosso shopping,rs...) e os pequenos agrados,pulseirinhas,enfeites de cabelo...
Por seu intermédio ouvi falar de Lagoa azul e curti a trilha sonora do filme  FAMA.
Ouvir som alto e dançar num barracãozinho apertado enquanto nossa casa era reformada, era uma diversão.
Quando ficávamos enjoados e alguém reclamava,ela dizia...Calma!É da idade!Tenha paciência!
  pouco tempo ela fazia desenhos de casas,ranchos que construiria e sugestões pra nós construirmos também;planejava viagens,mudanças...
Meu pai dizia que até então ela não tinha criado juízo e sorria um riso de satisfação.
A essas memórias veio se juntar as memórias de um outro personagem,de essência parecida a dela,que há alguns anos passou a integrar nossa família.Um primo ,namorado e depois marido de uma outra irmã, que nos apresentou o churrasco nos fins de semana, a cerveja, a dança,a festa,os clubes, as serestas,as piadas...
Ambos viam a vida por um prisma específico , da leveza, do prazer, da alegria...e tinham sede de viver ; talvez por intuirem que suas passagens por aqui seriam curtas,que suas partidas seriam bruscas,sem preparo,repentinas. Não sei...
O que sei é que ,com suas individualidades , contribuíram muito para um viver mais feliz..
Olho o retrato na parede da nossa casa (agora na minha memória),aquele em que constavam só os seis filhos mais velhos dos nossos pais e vejo aquele bebê de olhos vivos,sorriso aberto,vivacidade de menina levada e concluo...ali já se enunciava a mensageira da alegria.
E como não podia deixar de ser, sua última participação neste mundo foi em uma festa,vestida a caráter, comendo pipoca...“Rebenta pipoca...”
Ivone
22/05/2011